Cidade de Novo XÍngu-RS menos de 2000 habitantes
Agência Folha
Contestados por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no STF (Supremo Tribunal Federal), esses municípios situados na zona de rebaixamento guardam semelhanças entre si: foram originados por uma "gambiarra" legislativa em ano eleitoral, têm populações minúsculas e são cronicamente dependentes de dinheiro federal.
Pouco antes de a Emenda Constitucional nº 15 restringir a criação de municípios, transferindo dos Estados para o Congresso Nacional a competência sobre o tema em 1996, a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou, em um único dia, as leis de emancipação de 30 distritos.
Cidade de Mato Queimado-RS menos de 1900 habitantes
Na ação que tramita no Supremo há 13 anos, o governo gaúcho pede que esses novos municípios, que só foram efetivamente instalados em 2000, retornem à condição de distritos porque os deputados ignoraram requisitos legais como o número mínimo de eleitores (1.800).
Se essas localidades forem reincorporadas aos municípios de origem, prefeituras e Câmaras de vereadores serão dissolvidas, e seus servidores, demitidos.
As prefeituras ameaçadas de extinção tentam convencer o STF de que se enquadram nos requisitos da emenda constitucional nº 57/2008, que regularizou dezenas de municípios criados nos anos 90.
Emancipar cidadezinhas custa caro, mas o grosso da conta fica com a União, por meio do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), distribuído conforme a população de cada município.
Como cidades com menos de 10 mil habitantes têm direito ao piso de R$ 4 milhões/ano, o FPM acaba sendo a maior fonte de receita. Como se trata de um único bolo de recursos, cada nova emancipação torna mais exígua a fatia destinada a lugares onde vive mais gente.
Cidade de Quatro Irmãos-Rs menos de 1800 habitantes
Segundo a Secretaria do Tesouro Nacional, o fundo representa sete em cada dez reais que entram no caixa da Prefeitura de Mato Queimado. Esse repasse equivale a R$ 2.220 por habitante anualmente. Para efeito de comparação, o FPM per capita da cidade de São Paulo é de R$ 11.
A divisão de municípios multiplica a verba para regiões privilegiadas. Antes de Tio Hugo (2.730 habitantes) emancipar-se de Victor Graeff (3.120), o município-mãe tinha direito ao piso mínimo do fundo. Em 2008, os dois municípios receberam, cada um, R$ 4,1 milhões.
Uma outra conta ajuda a ilustrar a situação: juntas, as 29 cidades gaúchas ameaçadas de extinção têm pouco menos de 70 mil habitantes, o equivalente à população de Pirassununga (SP).
O município paulista recebeu R$ 17,8 milhões do Fundo de Participação dos Municípios em 2008. Para custear a estrutura de 29 prefeituras e dar conta de atender a mesma população, a União repassou R$ 117,5 milhões.



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