Outro Terno de Reis sem o Pinto


Nesta quarta-feira (05) o belo bairro da Lapinha recebe mais um desfile dos tradicionais Ternos de Reis que enchem as suas ruas com sons e cores há muitos anos. Mais uma festa cristã dentro de um vasto calendário de celebrações de verão. Quando se fala em Folia de Reis (ou Ternos de Reis) eu sempre lembro o nome daquela que talvez seja a mais famosa agremiação deste tipo: Lindro Amor! Com este ‘erre’ que é o mais contrário de um erro. Um trans-acerto de português! Lindreza de papel crepom. A opinião mais comum entre os freqüentadores e moradores da festa da Lapinha é: “No tempo do Padre Pinto era melhor”. Artista nato, o Padre José Pinto é bailarino profissional, pintor, escultor, costureiro e outras cositas más. Foi durante uma folia de reis que o Padre Pinto prestou aquela insólita homenagem a Oxum, escândalo internacional. Até compreendo o susto dos gringos, e mesmo dos brasileiros do sul/sudeste, mas aquele escarcéu formado aqui na cidade-da-baía, de Caramuru e Catarina Paraguassu, foi um exagero. Depois a Igreja enfiou o Pinto não se sabe onde e a Folia de Reis perdeu muito de sua majestade. Ainda assim, é uma boa festa, com as bandinhas ‘chupa catarro’ enfiando marchinhas e ranchinhos pra dentro e velhinhas com vestidos pobres e luminosos espalhando nobreza e graça, de graça, do corredor até a praça. Os Ternos de Reis baianos são os ancestrais das Escolas de Samba do Rio. A fantasia afro-ameríndia do Padre Pinto parecia de escola de samba. Uma batina é uma espécie de alegoria. O latim da missa é pura alegoria. Se fosse na Igreja Católica Brasileira, sonhada por Rui Barbosa e pela revolta dos alfaiates, o buraco seria mais embaixo do Equador. A festa de reis era bem melhor quando o Padre Pinto estava por dentro. Mas ainda assim vale a pena ir conferir. Lelê e eu iremos, e, talvez nos acompanhem Cézar Mendes e Caetano Portugal (devolta a Howth Castle e Arredores).
Um apêndice sobre a origem do nome do bairro. Com a palavra o grande Cid Teixeira: "Lapinha. Muito bem. O que é uma lapinha? O que é uma lapa pequena em termos de religião católica? É um presépio. Onde é que Cristo nasce? Numa manjedoura. Uma lapinha, quem é do interior aqui sabe que ninguém fala presépio, fala lapinha mesmo. Uma lapinha é um presépio. Quando os padres iniciaram a devoção ao Menino Deus, criou-se a capela da Lapinha e então o nome permaneceu. Era o limite norte da cidade no século XIX, tanto que até hoje, o exército libertador, o exército do Dois de Julho entra na cidade a partir da Lapinha, da Lapinha para a Liberdade era o interior. Então, a homenagem ficou, ingressa-se na cidade a partir da Lapinha, a partir dali é que as forças de 1823 ingressaram na cidade".

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